vivendo e não blogando

April 15, 2008 at 11:29 am (direito e 2 cents, sistemas e filosofia)

Sei que demoro pra escrever, mas tenho vivido muito, e blogando pouco.

Mas tenho coisas interessantes pra contar. A primeira delas é em relação ao trabalho. Eu vi uma audiência em que o sujeito foi cobrar coisa de cento e sessenta reais de um serviço que não foi prestado para ele. No Sofazão. Pois bem, o sujeito não vai ver o dinheiro de volta, até porque é objeto ilícito, mas não foi isso que me impressionou. O juíz leigo que presidiu a instrução do feito no JEC estava me falando que sente pena do sujeito. Isso porque o cara ganha o dinheiro dele de forma honesta, vai atrás de uma puta, e se vê sem o fruto do trabalho e o fruto dentre as pernas daquela que deveria ter fornecido. Sabe, eu até entendo que exista uma grande parte do mundo do qual eu não faça parte, e que neste mundo, o autor da ação tenha toda a razão. O que me espnta é que o meu ponto de vista não é aceito.

Ora, no meu ponto de vista – idealista, eu bem sei – se existem normas, estas devem ser cumpridas. Conheço a realidade do lugar onde vivo, e sei que quebramos normas todo o santo dia. Mas é no mínimo necessário que alguém as cumpra. Saca, o meu ponto nisto tudo é que, embora o mundo seja imperfeito, eu preciso agir como se não fosse. Todo aquele lance do meu comportamento ser o modelo para todo o comportamento. Levo isso a sério. Não sou um santo, e nem exijo isso dos outros. Mas, agindo como acho que seja a forma correta, abro caminho para que façam da mesma forma.  Se nos definimos a partir das relações com as alteridades, que a definição que a alteridade tenha de mim seja uma pelo menos clara. Supondo que todo o mundo seja relacional, e que os conceitos que eu formo advenham também das impressões do agir do outro, posso supor que o outro funcione da mesma forma. Assim, se o agir dele é definido a partir do meu agir, e isso numa espiral ascendente hermenêutica, que a base, ou o comportamento mais basal possível seja um claro e coeso. E pá.

Por outro lado, estava eu batendo papo com o fabs, e ele me disse que estava numa seca criativa, porque estava estudando. Pois eu sugeri que ele falasse dos cantos. Canto é aquele lugar onde ângulos se encontram. Tu tens ângulos na casa, no quarto, na rua, e na vida. E cantos em todos estes lugares. O canto, pra mim, é sempre um ponto de definição. As coisas, ali começam e acabam. É como se o alfa e o ômega, juntinhos e de mão dadas estivessem no mesmo lugar, mas não no mesmo espaço. É, como eu tinha dito ali em cima, uma questão de relação. Num quarto, um canto, em sentido estrito, é onde as paredes se encontram, Num sentido amplo, é aquele ponto onde tu tens as coisas que a) não te importam mais (vou deixar ali no canto) b) que te importam muito (vou deixar ali no canto, para ninguém tocar) e c) um ponto sempre a ser modificado (tenho que fazer alguma coisa com aquele canto!). Pois bem, sendo que as paredes te tão os extremos da possibilidade, o canto é ponto focal do impossível. Ali, as possibilidades da forma são inquestionáveis. Se concebermos a vida para além do canto, e saírmos do espaço conceitual do quarto, tu estás nú ante o impossível. Da mesma forma que estamos nús embaixo das roupas, estamos expostos atrás das paredes, e o canto é a expressão máxima disso.

Não é livro de auto ajuda, bem antes pelo contrário. O fato é que, se pensarmos direitinho, o que nos separa do mundo de 1984 é aquela forma definida pelas paredes, e encapsulada pelo conceito de canto. É uma relação que se perfectibiliza na própria existência do não existir de uma relação (a de vigilância).

Aí, eu chego no meu terceiro ponto. Como bitch do NIN, eu não consigo não me impressionar da puta trilha sonora que é o Year Zero. Tenho um filme na minha cabeça, há alguns anos, em que o Brasil é tomado por um tipo de autocracia, liderada pelo exército. E o fato que desencadeou tudo isso, no meu filme, foi um ataque terrorista num avião. O avião que levava a Tati e o fabs para os Eua. Nesta visão do futuro, assustado com tudo isso, o alto comando brasileiro resolve tomar o controle da mixórdia que são as instituições brasileiras. Mas o filme tem dois lados. Ao mesmo tempo em que o pessoal que assume o controle são heróis (além de humanos, o herói clássico, investido de uma qualidade tal que os exalta do populacho), o populacho tem os seus. Humanos, medrosos, mesmo assim, com a necessidade de ser livre. O resto da trama, eu vou escrever num site, quando eu tiver tempo. O lance é que os dois lados tem razão. E isso me assusta. Como controlar 250 milhões e mesmo assim, dar algum tipo de vida decente? Existe maneira de nivelar por cima este contigente? É o que eu fico pensando.

Ah, e sexo. Neste ponto,

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ontem

October 10, 2007 at 8:08 pm (direito e 2 cents, sistemas e filosofia)

to be more of a oddballto be more of a oddballto be more of a oddball

Ontem fui com o Nato no Damask. Apresentei o cara ao narguilé bem feito. Dei um azar violento quando comprei as minhas últimas caixas de tabaco e descobri que estavam todas velhas. Vou fumar só de birra.

O Nato é um cara bem legal, e me diverti pacas. Passei o dia inteiro hj pensando em algumas coisas. Poucas, mas importantes. O fabs está para receber a resposta da Capes, e isso deve ter declarado guerra entre ele e o rosto dele. Eu tenho a sincera impressão que vai tudo dar certo, e estou na torcida. O cara merece. Apesar dele gostar de dylan. (letra minúscula mesmo). Apesar dele não gostar de música farofa, nem de anime. Mas ele merece mesmo assim.

Tava viajando hj no ônibus, entre momentos de r.e.m. e cenários de putaria mental qual era afinal o objetivo do direito. A minha primeira resposta foi a mantutenção do status quo. Se fosse a manutenção do estado Gor seria melhor. (google Gor pra entender a piada). Mas aí eu me dei conta de que se fosse só pra isso, não teríamos modificações que não aquelas econômicas – o estado sería mínimo e totalmente liberal. Não teríamos por aqui a Maria Berenice, por exemplo. Imagino que seríamos menos hipócritas. “Escuta, mané, é assim porque decidimos e pronto e te fode o direito do consumidor”. Tem aquela coisa da transferência também. Se não achássemos em algum nivel que o Juiz efetivamente tem as respostas, como um totem freudiano, mantendo as leis e dizendo o que a gente tem que fazer porquê isso é certo, não faríamos. Não teria polícia que contesse o povo. O totem é forte, no direito, mas é mutável. Talvez mais mutável que na metáfora do comedor de ópio que inventou uma ciência pra explicar o tesão dele pela mãe. Aí, pensei que podia ser a resposta besta e romântica da busca pelo justo. Pois é, desde que inventaram a novela das oito, justo é a Odette Roitman morrer. A definição de justo, como na minha opinião, a moral e o direito em si, são construções culturais. Sendo assim, o justo poderia estar indicado numa leitura dos valores determinantes daquele grupo social. Pois é, quanto menor o grupo, mais fácil ser justo. Acontece que estamos inseridos numa sociedade que se comunica e muito com as outras. Claro que somos invadidos e bombardeados por informações de todos os cantos do planeta. Aí acontece que, com tantos dados, fica muito complicado estabelecer quais regras são as mais fundamentais. A cultura não tem um groundnorm (como é que se escreve isso em alemão?). O direito até teria (que se faça a constituição! se eu não me engano é kelsen), mas mesmo assim, não especifica o conteúdo da própria. Buenas, tinha um cara, e eu não me lembro se era o tio ari, ou o Robin dele que falava que o justo é a busca do equilíbrio. Bom isso não é assim no direito a muito tempo. No direito se busca a proteção de valores, e faz-se a operacionalização dos mecanismos de proteção a estes valores. O justo aí seria a busca e efetivação destes valores. Mas como o direito é interpretativo, e os próprios valores mudam de significado, então como se calcificar este ou aquele método de garantir os valores que o ordenamento escolheu?

Olha, eu disse que os valores mudam de significado. Sim, mas eles em si continuam os mesmos. Olha só o direito a dignidade. Começou-se pensando que era somente ter uma vida digna. Com a nossa incapacidade sagaz de dizer o que é digno, passamos a dizer o que não é digno. Não é digno viver abaixo da linha de probeza. Não é digno ser estuprado. Não é digno carregar o fruto de um estupro. Não é digno ter que escutar Maurício Mattar. Aí passamos a pensar no contrário senso disso. Olha só: é digno ter chances de cresecer na vida. De estudar. Da mulher ter controle sobre o corpo. É digno (e necessário escutar Nine Inch Nails. Mas o que é dignidade, ainda não foi definido. E não vai ser. Pois bem, tento no foco que o significado dos valores protegidos pelo ordenamento mudam, o significado do que é justo também muda. O ordenamento procura sim, um tipo de segurança mínimo, aquela garantia russeauniana de paz para a continuidade da vida. Poderia dizer, então que justo é a manutenção desta segurança mínima e que os valores abarcados como pilares da constituição são os parâmetros deste justo. Assim, sendo, como delimitadores, o justo começa e acaba nos direitos fundamentais. Cada decisão deve buscar base nesta orientação. Mas isso vem abaixo no momento em que se põe um fator na equação: as pessoas. Pessoas são informadas com valores levemente diferentes. Não só são levemente diferentes, como a ordem de apropriação da realidade que é feita em cada um obedece fatores internos que, embora comunicáveis com o mundo exterior a mônada, são principalmente instintivos. Os valores, em cada um obedecem ordens de prioridade diferente. É o que faz que ajamos e sintamos de maneiras diferentes. Eu disse num outro post que os instintos nas pessoas são reações a signos exteriores, informados por sentimentos que por sua vez são a reação a outros signos, ou necessidades, interpretadas segundo as experiências e modificados pelas modulações valorativas anteriores. Pois é, como isso tudo se passa num nível que não é racional (para mim, depois eu explico isso) o juiz, embrora constrito pela metodologia que aprendeu, ainda assim responde a necessidade do caso concreto através destas inflexões. Por isso, o justo, em cada juiz é diferente. Resumindo: embora seja justa a manutenção destes valores mínimos, estes valores estão relacionados a interpretações de indivíduos que reagem de forma diferente aos mesmos estímulos. E ainda tem a questão dos tribunais políticos. E este é um outro post.

 

 

Vou acabar por aqui porque ninguém vai comentar =P

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idéias para pensar sobre

September 24, 2007 at 2:21 pm (sistemas e filosofia)

aqui é um bom lugar para por aquelas idéias que eu preciso pensar sobre.

algumas coisas:

a) é tudo óbvio;

b)alguém já deve ter dito de forma melhor;

c) eu não tenho (ainda) a leitura que preciso para pensar com clareza sobre estas coisas.

então lá vai:

- tanto os sentimentos quanto a razão são influenciados pelo espaço e pelo tempo em que estão inseridos.

- não existe razão pura. se existisse razão pura ela não seria humana.

- tudo o que é humano é influenciado pelo lugar e pelo tempo em que estão existindo.

- o pensamento é o processo pelo qual relacionamos, arranjamos e rearranjamos o que quer dizer,  primeiro das coisas e depois do signo dos estímulos que recebemos.

- Signo é o resultado do relacionamento de um estímulo com um o que este estímulo é para a pessoa que o percebe.

- a razão é o ordenamento generalizável de símbolos em proposições.

- o sentimentos são reações a estímulos, signos e proposições, primeiramente  surgidos de nossas necessidades básicas, através de ações físicas ou mentais (isso tá ruim, mas eu não tenho ainda uma boa definição.)

resumindo o que eu quero dizer: tanto os sentimentos quanto a razão são localizadas no espaço e no tempo. a diferença é que o sentimento em si pode expressar uma necessidade básica diretamente, como fome, sede, desejo, e raiva, e o faz quando somos muito novos, mas pode ser reação a símbolos e proposições dos outros. A razão por sua vez, vem da possibilidade que temos de criar correntes de símbolos que possam ser aceitas pelos outros, e que sejam de verificação aparente. Do pensamento, que é um processo pelo qual damos, retiramos, e rearranjamos o que os símbolos querem dizer para nós é que brota a razão. Mas como a razão nasce de pensamentos, informados pelo sentimento, é um processo tipicamente humano. Então, embora todos aceitem que por exemplo 1+1=2, ainda assim, não existe matemática que não seja essencialmente humana. Por isso, eu não entendo porque se fala em razão pura. Não existe, para mim, rezão que não seja humana, que não seja informada pelos sentimentos, e que seja totalmente generalizável. O que temos são acordos mínimos sobre o significado dos símbolos. E porque isso é importante? Porque aí se entende que não existem ´mínimos absolutos de aceitação. Então, coisas como a moral se tornam muito mais fluídas, e de difícil operacionalização. Se a moral é um sistema de ordenamento de condutas, ordenamentos baseados em valores, que são generalizações de sentimentos(volto aqui mais tarde), então todas as morais possíveis estão circunscritas em círculos de comunidades. Estes valores, porque são baseados em sentimentos, sofrem modificação do contexto em que estão inseridas, e no tempo em que são atuantes. E a razão? A razão operacionaliza esta moral, criando sistemas de aplicação delas, como o direito e como a moda.

depois eu continuo

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