Bom, vamos lá: Este post são pensamentos randômicos, e nada mais do que isso. Vou, sinceramente não ser pedante, embora escrever que não vai ser alguma coisa já é, por si só, um atestado de pedantismo.
Pois bem, há alguns meses, conversando com o fabs eu me dei conta de um treco que mudou a minha vida. O fato é que só pessoas – enquanto seres experienciadores de vida, como a gente conhece – podem morrer. Morrer é um fato essencialmente humano. As outras coisas acabam. Por outro lado, o último ato enquanto ser humano é se dar conta que vai morrer, nós não morremos, nós somos “morridos”. Pensa, quando a vida acaba, acaba a experiência e a capacidade de experienciar. Se eu considerar que, quando se morre, esta possibilidade de experienciar acaba, então eu não tenho como afirmar que eu sei que morri. Só que eu sei que vou morrer. Tá, e porque isso mudou como eu vejo as coisas? Porque, eu pessoalmente, considero que se é humano quando se consegue, ou se tem a possibilidade de experienciar qualquer coisa. Ora, é impossível, para alguém isoladamamente entender o mundo, a não ser que desenvolva uma linguagem para lidar com as relações que vai formar. Eu preciso saber que uma roda é uma roda e que ela serve pra alguma coisa. Eu não tenho como relacionar que a roda gira se eu não tenho, pelo menos, um conceito pra definir o que é roda em si, com o fato que ela gira. Eu achava que a nossa experiência parava de ser produzida no momento em que a gente morria. Mas, se a experiência acaba antes, então eu não tenho como saber que morri. O que me dá uma certa urgência no viver: se eu não tenho como saber que estou morto, porque sou morrido, eu tenho que acabar com as coisas que comecei antes que a minha capacidade de experiência seja apagada. (Acho que foi o heidegger que escreveu isso) Só faço as coisas acontecerem porque sei, intimamente, e desde cedo que a minha existência vai acabar. Tenho a noção que eu tenho um fim, e extrapolo isso a todas as relações que faço.
Imagina o seguinte: de um lado eu tenho o Legolas, do outro o Batman. A rigor, sendo os elfos tolkinianos imortais, eles não tem porque temer o fim de si mesmo, pelo menos pela idade. A força motriz por trás das ações deles é a curiosidade. O que é alienígena para nós, seres humanos, cuja força motriz, inicialmente, é o medo. Medo de que eu acabe antes que passe a minha carga genética, inicialmente. Com o advento de uma linguagem coerente e capaz de absorver e expandir o meu cabedal conceitual, este medo é deslocado e modificado para uma série infidável de motivações, embora a origem seja a mesma. O batman conhece a morte em primeira mão. Viu os pais morrerem e por isso mesmo se deu conta que tinha que agir, e por fim a causa da morte deles, agora. O que move o batman, no fundo, é o medo de não conseguir dar fim ao que desestruturou a idéia de mundo que ele tinha, inicialmente.
Mais ou menos como a teoria da causualidade adequada, no direito penal brasileiro. Esta teoria exclui da causalidade um fato superveniente relativamente independente. É o seguinte: eu dou um tiro em A. A vai para o hospital, e com certeza sobreviveria, se a ambulância de A não tivesse sido atingida pelo carro de B. B responde por homicídio culposo, e não eu. eu respondo por lesões corporais graves.
Então, o nexo de causalidade entre o fim da experiência como morte, e o batman está explicado na necessidade que o personagem tem em dar fim o que causou a mudança de relacionamento dele com o mundo, entendes? Se a mesma coisa acontecesse com o Legolas, ele piraria, porque como é imortal, o próprio conceito de morte não é concebível. Como se pode imaginar o que não se tem possibilidade de imaginar?
Eu tô puto da cara com o cancelamento do show do NIN. Esperei um tempão por isso, e alguém cagou seriamente. Porra, no good deed goes unpunished, yeah?
Quanto ao meu namoro: ela é uma guria MUITO legal. Estou me divertindo pacas e as coisas estão caminhando bem. Quero dar um jeito de apresentar pro pessoal. She’s shy, my little gal.
Como é estranho estar na Defensoria. A visão do direito penal é radicalmente diferente. Pomba, eu fiquei alguns meses no gabinete do juíz e já estou tendo dificuldade de mudar o paradigma na minha práxis. (Usei estas duas palavras na mesma frase, e como todos sabem, quem usa estas duas palavras na mesma frase não sabe – de jeito nenhum – o que está dizendo)
Adorei a lei russa que bane o emo. Por mais que os emos sejam os novos góticos, eles não são nós. Nós nos justificamos porque éramos nós, e não eles ^^
por enquanto é isso. beijos